Home Tutoriais Redes IPv6 – NAT444


Assim como o A+P, o NAT444 tem sido usado na tentativa de prolongar a vida útil do IPv4 na Internet. Este mecanismo fere o princípio de comunicação fim a fim da Internet e seu uso deve ser evitado ao máximo. Alternativas que levem as redes na direção de redes somente IPv6 são preferíveis, assim como alternativas que usem métodos stateless e que mantenham a complexidade nas extremidades da rede.

Se usado, o NAT444 deve acompanhar a implantação do IPv6 nativo para os usuários. Não deve ser usado isoladamente.

O NAT444 é descrito no em draft-shirasaki-nat444-05 e também é conhecido como LSN (Large Scale NAT) ou CGN (Carrier Grade NAT). Este mecanismo atribui um IPv4 privado para cada um dos usuários de um ISP, de forma semelhante ao que já é normalmente feito em redes domésticas e em diversas redes corporativas. Ou seja, os usuários conviverão, nesse caso, com duas camadas de NAT.

A utilização desta técnica resolveria, de forma provisória, o problema da falta de endereços IPv4, já que eles seriam largamente reutilizados, mas o custo seria comprometer as conexões fim a fim e possivelmente a “quebra” de diversas aplicações hoje existentes.

Pode-se argumentar que o NAT já é usado normalmente e que não há prejuízo na utilização da Internet por conta disso. Isso não é verdade. O NAT, na rede dos usuários, por si só, já é prejudicial, embora tenha desempenhado um importante papel nos últimos anos para a conservação dos endereços IPv4 na Internet. Técnicas como servidores STUN, uPnP e outras foram desenvolvidas para restaurar, parcialmente, a comunicação fim a fim perdida com uma camada apenas de NAT. Com o uso de NAT444 elas deixarão de funcionar.

Outro ponto a considerar é que essa técnica é cara, exigindo equipamentos com grande poder de processamento. Investimentos altos tendem a ser politicamente conservados dentro de grandes corporações, o que pode levar a um atraso na adoção do IPv6.

Um ponto a considerar, do ponto de vista estritamente técnico, é a escolha do bloco de IPs a ser usado no NAT. Como o uso dos blocos da RFC1918 é comum nas redes dos usuários, qualquer bloco escolhido dentre os disponíveis pelo provedor fatalmente colidirá com o bloco de algum de seus clientes. Existe uma proposta em estudo para a reserva de um novo bloco, exclusivo para a utilização em situações onde houver duplo NAT. O ARIN prontificou-se a ceder o bloco em questão e a proposta está sendo analisada pelo IETF: draft-weil-shared-transition-space-request-15.

Devido ao rapido esgotamento do IPv4, podem existir situações em que essa técnica terá de ser utilizada. Seu uso muitas vezes é incentivado por fabricantes de equipamentos, talvez devido ao alto custo dos equipamentos necessários para sua implementação.

A figura abaixo exemplifica o funcionamento das redes hoje e como ficará o funcionamento da rede com a utilização do NAT444.

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Fonte: http://ipv6.br/entenda/transicao/#tecnicas-nat444

   

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