92% das empresas brasileiras acreditam que os dados estão mais seguros se armazenados localmente

Uma mão segura um smartphone que exibe o logotipo da Cisco na tela. Ao fundo, há um gráfico de mercado financeiro com barras e linhas em tons de azul e vermelho, sugerindo análise de dados ou desempenho financeiro da empresa. A iluminação da cena cria um efeito dramático, com um tom avermelhado destacando a mão e o dispositivo.

Um estudo realizado pela Cisco e divulgado nesta quarta-feira (2), evidenciou a atual complexidade do cenário de privacidade de dados. Conduzido em 12 países e com insights de 2.600 profissionais, a oitava edição do Privacidade de Dados 2025 (Data Privacy Benchmark Study) mostra que, apesar do aumento nos custos operacionais da localização de dados, 90% das organizações consideram o armazenamento local inerentemente mais seguro, sendo 92% no Brasil.

No entanto, 91% das empresas (um aumento de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior) confiam nos provedores globais para uma melhor proteção de dados. “O direcionamento pela localização de dados reflete o crescente interesse pela soberania digital”, analisa Harvey Jang, chief privacy officer da Cisco. “No entanto, uma economia digital global próspera depende de fluxos de dados transfronteiriços confiáveis.”

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De acordo com a pesquisa, existe uma necessidade das organizações em balancear o armazenamento local, a expertise global e a privacidade orientados para o mundo da IA, grande usuária de proteção de dados para um negócio saudável.

O avanço das leis de privacidade

Entre os pilares fundamentais para construir essa segurança e a confiança com os clientes são as legislações de privacidade. O estudo mostra que 86% dos entrevistados destacam um impacto positivo dessas práticas em suas organizações, um aumento em relação aos 80% do ano passado.

Apesar dos custos associados à conformidade, 96% das organizações afirmam que os benefícios superam significativamente os investimentos. Esse sentimento é reforçado pelo crescente nível de conscientização e confiança dos consumidores em relação às leis de privacidade.

A maioria dos consumidores globais (53%) afirmou estar ciente das leis de privacidade de seu país. Entre aqueles que têm esse conhecimento, 81% se sentem confiantes em sua capacidade de proteger seus dados, em comparação com apenas 44% dos que desconhecem essas leis. O Brasil ficou acima do índice global (86%), com 95% dos brasileiros reconhecendo o impacto positivo das leis de privacidade (LGPD) nas operações comerciais.

“Privacidade e governança adequada de dados são fundamentais para uma IA responsável”, disse Dev Stahlkopf, chief legal officer da Cisco. “Para as empresas que buscam se preparar para a IA, os investimentos em privacidade estabelecem uma base essencial, ajudando a acelerar uma governança eficaz da IA.”

Privacidade, o pilar da IA responsável

Outro ponto ressaltado pela pesquisa da Cisco é a necessidade de fortalecer políticas de cibersegurança na era da inteligência artificial. À medida que a familiaridade com a IA cresce — 63% dos entrevistados agora dizem estar muito familiarizados com ferramentas do tipo — as preocupações permanecem constantes em relação ao ano anterior.

Dos profissionais ouvidos no Brasil, 76% disseram estar muito familiarizados com a inteligência artificial generativa, bem acima da média global. Apesar de muitas organizações relatarem ganhos significativos com a tecnologia, a privacidade de dados ainda é um grande risco. Atualmente, 64% dos entrevistados no mundo temem compartilhar inadvertidamente informações sensíveis publicamente ou com concorrentes, mas quase metade admite inserir dados pessoais de funcionários ou informações não públicas em ferramentas de GenAI.

No Brasil, 97% das empresas consideram que os investimentos em privacidade geram retornos positivos e os orçamentos de TI têm mudado para atender as necessidades urgentes de IA. A média global é de 96%. Como resultado, há um foco crescente em investir em processos de governança de IA.

Dos entrevistados brasileiros, 99% anteciparam a realocação de recursos de privacidade para iniciativas de IA no futuro; o mesmo índice do patamar global (99%). Outro estudo da empresa, o Readness Index para IA da Cisco 2024, reforça essa tendência, mostrando que as alocações de orçamento de TI devem praticamente dobrar no próximo ano, à medida que as empresas buscam implementar a tecnologia de forma segura.

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