Apple perde US$ 250 bilhões em valor de mercado após ‘tarifaço’ de Trump, diz jornal

Maior parte dos iPhones são produzidos na China, que agora terá taxa de 34% para importar produtos aos Estados Unidos. Apple produz ainda no Vietnã e na Índia, que também tiveram aumento de tarifas. iPhone 16 em loja da Apple em Londres, em 6 de outubro de 2024
Reuters/Hollie Adams/File Photo
A Apple perdeu US$ 250 bilhões em valor de mercado nesta quinta-feira (3), segundo o jornal Financial Times. A queda acontece após o ‘tarifaço’ anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e faz o valor da empresa ficar em US$ 3,12 trilhões.
As ações estão em queda de cerca de 8% e devem fazer a Apple ter seu pior dia desde setembro de 2020, de acordo com a Reuters.
A avaliação é de que as tarifas sobre itens importados para os EUA devem prejudicar a empresa, que tem 90% dos iPhones fabricados na China. A taxa para o país subiu de 20% para 34%, afirmou o jornal americano The New York Times (veja a lista completa).
Com o aumento, os custos anuais para a Apple para produzir na China devem subir em US$ 8,5 bilhões, de acordo com a empresa de investimentos Morgan Stanley.
O iPhone, o iPad e o Apple Watch trazem a maior parte do faturamento anual da empresa, de cerca de US$ 400 bilhões, segundo o NYT. Agora, a empresa deve decidir se os novos custos serão absorvidos, o que reduzirá sua margem de lucro, ou repassados aos consumidores.
Se as novas taxas forem repassadas para clientes, o preço do iPhone 16 Pro Max nos EUA pode subir de US$ 1.599 para quase US$ 2.300, segundo afirmou a Reuters com base em projeções da empresa de investimentos Rosenblatt Securities, que estima aumento de custos em 43%.
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Após Trump anunciar novas tarifas sobre a China ainda em seu primeiro mandato, a Apple migrou parte de sua produção para o Vietnã e a Índia. Mas os países agora enfrentarão taxas de 46% e 26%, respectivamente.
Analistas ouvidos pela Reuters também apontam que as novas tarifas podem dar uma vantagem para a Samsung. A empresa fabrica seus celulares na Coreia do Sul, para a qual a tarifa será de 25%.
A Apple disse em fevereiro que investirá mais de US$ 500 bilhões e criará 20 mil empregos nos EUA, após o chamado de Trump para empresas voltarem a produzir no país.
Big techs na posse de Trump
O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, foi um dos chefes de big techs e outras empresas do ramo que participaram em janeiro da posse de Donald Trump para seu segundo mandato como presidente dos EUA.
Além dele, Sundar Pichai (Google), Mark Zuckerberg (Meta), Jeff Bezos (Amazon), Elon Musk (Tesla, SpaceX e X), Shou Zi Chew (TikTok) e Sam Altman (OpenAI) também compareceram à cerimônia.
A presença foi vista como uma tentativa de se aproximar do governo Trump. Todas as big techs fizeram doações para o fundo de posse do presidente americano.
Após a posse, Tim Cook postou os parabéns a Trump em sua conta no X. O CEO da Apple disse que estava ansioso para trabalhar com a nova administração e continuar entregando inovação e vagas de emprego para o crescimento da “grande nação”.
Da esq para dir: Sundar Pichai (CEO do Google), Shou Zi Chew (CEO do TikTok), Tim Cook (CEO da Apple) e Elon Musk (dono do X, de costas) na posse de Trump
Saul Loeb/GettyImages via AFP
Os CEOs Mark Zuckerberg (Facebook), Jeff Bezos (Amazon), Sundar Pichai (Google) e Elon Musk (Tesla, SpaceX e X) na cerimônia de posse.
Julia Demaree Nikhinson/REUTERS
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