Derrite dá ordem para ‘frear’ operações e até abordagens em São Paulo

A coluna conversou com diferentes pessoas que fazem parte das forças de segurança do Estado de São Paulo das mais variadas patentes e grupos da Polícia Militar, como Rota, Força Tática e Rocam. A determinação do secretário à frente da pasta, Guilherme Derrite, repassada a corporação, é para evitar situações de conflito e “frear” operações ou incursões que resultem em disparos e, como consequência, mortes. Segundo as fontes ouvidas, eles não vão deixar de fazer o patrulhamento, mas, nas “áreas sensíveis”, a recomendação é para até mesmo evitar abordagens. Os atendimentos às ocorrências também continuarão operando normalmente. Mas algumas coisas os policiais foram orientados a “deixar passar”.
O que tem sido falado nos bastidores é que o secretário irá rever protocolos. O que reforça a narrativa de que Derrite está cedendo a pressão feita por ONGs e instituições que têm questionado as abordagens policiais. O fato da PM “tirar o pé”, causa preocupação nas diferentes esferas da corporação pelo fato de que, em muitas vezes, a lógica está se invertendo, e os policiais têm sido tratados como os vilões da história. Sendo que o trabalho deveria ser para reforçar a legitimidade policial para que os PMs possam atuar com o “respeito” que a função merece.
Um dos policiais ouvidos pela coluna argumentou: “Daqui a pouco, todos estarão indo para cima da polícia. Que credibilidade vamos ter!? Não estou dizendo que queremos ‘licença para matar’, mas, nas abordagens, as pessoas precisam seguir aquilo que estamos falando que não vai ter contratempos. Essa instrução que deveria ser reforçada pela secretaria, e não pedir para evitarmos abordagens”.
Os casos de mortes pela polícia em São Paulo aumentaram significativamente. Em 2024, houve uma elevação de 78% nas mortes pela polícia em comparação com o ano anterior. A coluna procurou a SSP, mas, até a publicação deste texto, não houve resposta. O espaço segue aberto para atualização.