Como investir em inovações e garantir compliance? Shelley McKinley, Chief Legal Officer do GitHub, conta

Novas tecnologias e soluções surgem constantemente e os aspectos legais se esforçam para se adequar esse ritmo acelerado. Shelley McKinley, Chief Legal Officer do GitHub, contou ao IT Forum seu papel e do time nesse contexto. Responsável pela equipe de assuntos corporativos e jurídicos do GitHub, Shelley lidera não apenas as atividades jurídicas tradicionais, como compliance, mas também áreas como políticas para desenvolvedores, moderação de conteúdo, acessibilidade e impacto social. No coração do seu trabalho, está a missão de equilibrar inovação e responsabilidade, especialmente por conta do impulso da IA.
Ela revelou que desde o lançamento do GitHub Copilot em 2021, a IA tem redefinido o setor de desenvolvimento de software e levantado importantes questões jurídicas. A executiva destaca que a “lei está tentando acompanhar a tecnologia”, especialmente em relação à propriedade intelectual e regulamentação de IA.
Shelley explica que a IA introduziu desafios únicos no direito autoral. “Do ponto de vista do direito autoral, a IA é como qualquer outra ferramenta – ela auxilia, mas não substitui a criatividade humana.” Assim, reforça, embora peças criadas inteiramente por IA possam não ser protegidas por direitos autorais, trabalhos que envolvem direção humana, como edições ou organização de conteúdos, continuam a ser protegidos.
Com a crescente complexidade regulatória, o GitHub atua de perto com formuladores de políticas, como no caso do AI Act da União Europeia, onde conseguiu assegurar que o ônus regulatório recaísse sobre produtos comerciais e não sobre componentes de código aberto. “Essas regulamentações precisam entender o papel do código aberto no ecossistema para que não inibam a inovação”, pontua.
Transparência e responsabilidade
Quando questionada sobre qual a recomendação para se resguardar juridicamente que ela indica para CIOs e CEOs nessa nova era, pautada pela IA, Shelley destaca a transparência como um pilar essencial na escolha de parceiros tecnológicos confiáveis. Ela aconselha que executivos de empresas busquem fornecedores que demonstrem abertura e transparência em suas práticas de IA, especialmente em relação ao uso e à proteção de dados.
“No GitHub, temos um Centro de Confiança que cobre tópicos como privacidade, IA responsável e segurança, proporcionando clareza sobre nossas práticas”, explica. Ela incentiva os líderes a questionarem seus fornecedores sobre conformidade regulatória e práticas de IA responsável para garantir que estejam alinhados com as novas exigências legais e éticas.
Combatendo vieses e alucinações da IA
A inclusão e a diversidade na criação de software são outro tema crítico para a executiva. Ela acredita que equipes diversificadas produzem melhores resultados e são fundamentais para mitigar vieses em IA. De acordo com ela, No GitHub, há um processo rigoroso de controle de qualidade e segurança para reduzir vieses e “alucinações” – termo usado para descrever saídas incorretas da IA.
“As melhores práticas de desenvolvimento de software que sempre tivemos não devem ser abandonadas só porque usamos IA,” ressalta. Ela ainda sugere que, em um mundo cada vez mais digital, o Brasil deveria investir na capacitação de sua força de trabalho para a era da IA, com foco em oportunidades locais de desenvolvimento econômico.
Acessibilidade e inclusão
A inclusão de pessoas com deficiência é outro tema essencial para a executiva. Com a ambição de alcançar 1 bilhão de desenvolvedores globalmente na próxima década, o GitHub adota uma abordagem robusta para assegurar que suas ferramentas sejam acessíveis, garante. “A IA traz oportunidades para ultrapassarmos barreiras – mas precisamos garantir que essa transição seja feita com responsabilidade e inclusão.”
Segundo ela, a tecnologia deve “empoderar e não desabilitar,” e isso inclui garantir que pessoas dependentes de leitores de tela, por exemplo, possam utilizar as ferramentas do GitHub sem obstáculos. Ela encoraja também que executivos questionem seus fornecedores sobre práticas de acessibilidade para garantir que toda a força de trabalho possa contribuir plenamente, afirmando que a acessibilidade é “crucial para um futuro inclusivo”.
*A jornalista viajou a convite do GitHub
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