Foad Shaikhzadeh: capital trilionário das big techs redefine mercado óptico global

As grandes empresas de tecnologia estão transformando o mercado de conectividade ao assumir o controle do tráfego de dados e construir suas próprias redes. A avaliação é de Foad Shaikhzadeh, CEO da Lightera, nova marca global do Grupo Furukawa Electric. Segundo ele, o volume de capital dessas empresas já ultrapassa com folga o das operadoras tradicionais e isso deve redefinir o papel de ISPs e o futuro da infraestrutura óptica no mundo.

“Quem está dominando o espaço de tráfico de dados no mundo inteiro são os operadores, são o que nós chamamos de hyperscales, data centers. Ele está na mão do grupo chamado GAFAM, né? Google, Amazon, Facebook”, afirmou o executivo durante coletiva online com a imprensa especializada brasileira. “75% do tráfego de internet do mundo está na mão dessa turma já. Já não está mais nas operadoras de telecom.”

“O valor de capitalização mudou drasticamente”

Na comparação entre operadoras e empresas de cloud e data centers, Shaikhzadeh foi direto:
O valor de capitalização delas era entre 20 bilhões a 100 bilhões de dólares. As empresas ligadas ao mundo do hyperscale, de processamento de dados, a capitalização delas é na casa de trilhões de dólares.”

Para ele, essa transformação exigirá novos caminhos para os pequenos provedores:
O ISP, na verdade, ele é pequenininho demais. Para ele poder sobreviver nesse mundo, ele tem que ter parcerias muito fortes.”

“Alguns produtos podem ser beneficiados”

Questionado sobre as novas tarifas dos Estados Unidos sobre importações de cabos ópticos, o CEO da Lightera disse que a medida pode abrir espaço para exportações a partir do Brasil:
O Japão está sendo tarifado em 24% na exportação para os Estados Unidos. […] O Brasil, particularmente, ou em vários países da América Latina foram privilegiados em só ficar uma tarifa de 10%”.

Pode até ser que alguns produtos sejam beneficiados”, disse. “Nós estamos olhando, a gente exporta muito cabo para os Estados Unidos na área de cabos LAN. Os concorrentes nossos são todos asiáticos.”

Shaikhzadeh destacou que o grupo está avaliando o impacto caso a caso:
“Vai ter situação eventualmente que um produto de um lugar vai ser transferido para outra unidade quando a tarifa seja menor.”

“O Brasil precisa decidir se quer essa proteção ou não quer”

Ao tratar da capacidade industrial brasileira, Shaikhzadeh afirmou que a unidade de Curitiba já produz cabos de alta densidade, mesmo sem demanda interna suficiente. “Hoje a linha tem algumas áreas muito ocupadas e algumas áreas não ocupadas, por causa dessa história de falta de política industrial clara que o Brasil está sendo afogado com tanto produto importado chinês ou asiático de forma geral.”

Se não for ocupada pelo Brasil, essa capacidade vai para outro lugar. Então o Brasil tem que definir uma política industrial. Nós não queremos proteção para a Furukawa ou para a Lightera. Nós queremos proteção para a indústria brasileira.”

“Conexão é o nosso negócio, não é conteúdo”

Sobre o foco da empresa, Shaikhzadeh foi categórico: “A Lightera, ela basicamente é a luz. […] O nosso negócio é conectar mesmo.” Ele explicou que o grupo continuará atendendo ISPs, mas destacou que a demanda crescente virá de redes de alta capacidade. “Nós não queremos perder a onda do hyperscale. E o Brasil ainda está um pouquinho longe disso, mas vai chegar.

O post Foad Shaikhzadeh: capital trilionário das big techs redefine mercado óptico global apareceu primeiro em TeleSíntese.