Governança de IA e soberania de dados desafiam empresas no Brasil, mostra estudo da Cisco

A oitava edição do estudo anual Data Privacy Benchmark Study, divulgada nesta semana pela Cisco, aponta que a governança de dados e a implementação de inteligência artificial (IA) estão transformando a forma como empresas no Brasil e no mundo lidam com a privacidade. Segundo a pesquisa, 99% dos profissionais brasileiros entrevistados antecipam a realocação de recursos de privacidade para iniciativas de IA. Esse é o mesmo índice registrado globalmente.

O estudo ouviu 2.600 profissionais de privacidade e segurança em 12 países. No Brasil, 97% das empresas relataram que os investimentos em privacidade geram retorno superior aos custos. Apesar disso, há uma tendência de redirecionamento de orçamento para atender à demanda crescente por tecnologias baseadas em IA.

Brasil lidera em apoio à LGPD

A pesquisa revela que 95% dos profissionais no país apoiam leis de privacidade, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e reconhecem impactos positivos dessas normas nas operações comerciais. É o maior índice entre todos os países analisados e está acima da média global, de 86%.

Esse apoio reforça a percepção de que marcos regulatórios claros fortalecem a confiança dos consumidores e reduzem riscos operacionais. Entre os entrevistados globalmente, 86% também reconheceram os benefícios da conformidade com as legislações de privacidade.

Armazenamento local ainda é prioridade

A soberania de dados permanece como um fator determinante para decisões estratégicas. No Brasil, 92% dos entrevistados acreditam que os dados são inerentemente mais seguros quando armazenados localmente, superando a média global de 90%. Ao mesmo tempo, 91% dos respondentes globais afirmam confiar nos provedores internacionais para garantir proteção de dados — uma combinação que, segundo a Cisco, reflete a complexidade do cenário atual.

“A preferência pelo armazenamento local reflete o interesse crescente pela soberania digital”, afirmou Harvey Jang, Chief Privacy Officer da Cisco. Ele destacou que estruturas como o Global Cross-Border Privacy Rules Forum podem ajudar a conciliar a necessidade de proteção com a fluidez dos fluxos internacionais de dados.

IA Generativa cresce, mas preocupa

Outro dado de destaque é a familiaridade com a inteligência artificial generativa (GenAI). No Brasil, 76% dos entrevistados disseram estar muito familiarizados com a tecnologia, enquanto a média global é de 63%. Apesar disso, 64% dos profissionais no mundo ainda expressam preocupações com o uso indevido de dados sensíveis por ferramentas de IA. A Cisco alerta para o risco de vazamentos de dados e propõe soluções de defesa voltadas à proteção contra abusos nessas plataformas.

O estudo reforça que a construção de uma base sólida de governança de dados e privacidade será fundamental para o uso responsável da IA. A Cisco indica que as alocações orçamentárias para IA devem dobrar nos próximos 12 meses, o que exigirá novas estratégias de compliance por parte das empresas. O estudo da Cisco foi conduzido em 12 países e ouviu 2.600 profissionais de privacidade e segurança.

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