Brasileiras presas na Alemanha após terem malas trocadas não têm acesso aos remédios de uso contínuo, diz advogada

A brasileira Kátyna Baía, de 44 anos, presa na Alemanha há mais de um mês junto com Jeanne Paolini, de 40 anos, está sem acesso aos medicamentos de controle especial que precisa tomar continuamente, informou Luna Provázio, advogadas das mulheres, por meio das redes sociais, acrescentando que além de estarem presas injustamente, alguns direitos humanos não estão sendo respeitados. “Ela levou os medicamentos na bagagem de mão, mas o presídio alemão se nega a entregar os medicamentos para ela”, disse a responsável pelo caso. Kátyna e Jeanne tiveram as malas trocadas no Aeroporto de Guarulho no começo de março e foram detidas assim que chegaram no aeroporto de Frankfurt acusadas de levarem 40 kg de cocaína nas bagagens despachadas. As duas, que são um casal, pretendiam ficar 20 dias viajando pela Europa, passando por Alemanha, Bélgica e Holanda, em comemoração da conclusão da residência veterinária que Paolini fazia na Universidade de Brasília (Unb). “Elas sempre sonharam com essa viagem e finalmente chegou o dia em que puderam realizar esse desejo. Animadas, embarcaram em um avião para um país distante, ansiosas para conhecer novas culturas e pessoas”, relatou a página Justiça por Kátyna e Jeanne, criada no Instagram para chamar atenção para o caso. “Mas o que era para ser uma viagem de sonho, rapidamente se transformou em um pesadelo. Presas injustamente, já se passaram mais de 30 dias, vivendo dia após dia esse pesadelo. Sem falar alemão, sem poder ter um tratamento digno” , acrescentam.

 

Nas redes sociais, a advogada pede apoio dos internautas para pressiona o Ministério da Justiça, Ministério Público Federal, Polícia Federal e Itamaraty para atuarem em conjunto, de modo que as provas e vídeos que mostram a bagagem das duas sendo trocadas chegue até a justiça alemã, de forma completa e devidamente traduzidos, pois, segundo Luna, “as brasileiras só serão soltas após os vídeos chegarem nas mãos dos juiz e do promotor da Alemanha. É essencial para conseguirmos libertá-las da prisão preventiva o mais rápido possível”. Segundo a página Justiça por Kátyna e Jeanne, a família das duas vive em um constante estado de angústia e apreensão, sem saber se e quando elas serão libertadas. “O coração dos familiares e amigos estão partidos. As risadas agora são silenciosas, as reuniões familiares têm um lugar vazio, e o amor que eles sentem é sufocado pelo desespero da situação”. Diante de toda a situação, a advogada diz que, além dos problemas que elas estão enfrentando agora, também podem ter outros futuramente. “Além dos danos materiais e morais que as brasileiras estão enfrentando há 34 dias, é provável que as próximas viagens internacionais sejam sempre um transtorno para ambas”, pois, “mesmo inocentadas, o nome delas vai estar registrado na Interpol, então é provável que em todas as próximas viagens os policiais alfandegários queiram revistar item por item da bagagem delas, fazendo reviver o trauma que estão passando”, finaliza.  A PF e o Itamaraty foram procurados pela Jovem Pan neste domingo, 9, mas não houve retorno sobre o caso até a publicação deste texto.