Trump impõe tarifa de 10% a produtos importados do Brasil

Trump tarifas ilustração

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira, 2 de abril, a imposição de tarifa de 10% sobre produtos importados do Brasil. A medida, parte de um decreto de emergência econômica e entrará em vigor às 0h01 do dia 5 de abril de 2025. Para países com os quais os EUA registram os maiores déficits comerciais, as alíquotas sobem — a China, por exemplo, será tarifada em 34%, o Vietnã em 46% e a União Europeia em 20%.

O Brasil está entre os países com menor sobretaxa, o que foi interpretado por setores industriais como um sinal de manutenção da competitividade relativa no mercado norte-americano.

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, informou ao Tele.Síntese que está monitorando o impacto da nova política tarifária sobre o setor eletroeletrônico. “A Abinee está avaliando o quanto o agravamento de tarifas para terceiros países poderá aumentar a competitividade da indústria brasileira nos Estados Unidos”, observou Humberto Barbato, presidente da entidade.

EUA citam barreiras brasileiras no comércio bilateral

Apesar de ter recebido uma alíquota relativamente baixa, o Brasil foi mencionado diretamente no documento oficial da Casa Branca como um dos países que mantêm barreiras tarifárias e não tarifárias consideradas prejudiciais aos interesses americanos.

Entre os pontos destacados, o governo dos EUA afirma que o Brasil impõe uma tarifa média de 11,2% sobre importações, superior à média de 3,3% praticada pelos Estados Unidos. Também foi citada a tarifa de 18% sobre etanol importado, enquanto os EUA aplicam apenas 2,5% sobre o produto.

Outra crítica refere-se à proibição ou restrição à entrada de bens remanufaturados, o que, segundo a Casa Branca, “desestimula esforços de sustentabilidade e reduz o acesso ao mercado para exportadores americanos”. A estimativa do governo norte-americano é de que, se tais restrições fossem eliminadas por países como Brasil, Argentina, Equador e Vietnã, as exportações dos EUA poderiam aumentar em até US$ 18 bilhões ao ano.

Medida visa reverter déficit comercial e ampliar produção doméstica

O governo Trump afirma que o objetivo buscado ao impor uma tarifa mínima é restaurar a soberania econômica dos EUA, reequilibrar o comércio internacional e incentivar a reindustrialização nacional. A política de reciprocidade tarifária é justificada com base no aumento do déficit de bens — que teria superado US$ 1,2 trilhão em 2024 — e na alegada assimetria nas regras de comércio praticadas por parceiros estrangeiros.

O texto também menciona que o atual sistema permite que países que adotam práticas desleais, como subsídios, manipulação cambial e barreiras técnicas, se beneficiem em detrimento da indústria americana.

Entre os setores estratégicos protegidos, o decreto exclui de tarifas bens como semicondutores, cobre, produtos farmacêuticos e energia — considerados essenciais para a segurança nacional. Também estão previstos ajustes dinâmicos nas tarifas: elas poderão ser elevadas em caso de retaliação dos parceiros ou reduzidas se houver “avanços significativos rumo à reciprocidade”.

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