Home Matérias / Concurso História História – Segunda Guerra Mundial


Ao final da Segunda Guerra Mundial, acalorou-se no Brasil a discussão sobre os rumos que deveríamos seguir em nosso esforço de desenvolvimento.

Roberto Simonsen dizia que era importante o país continuar se industrializar e abrir mais fábricas. Além de investir mais indústrias, era importante abrir novas estradas, aumentar as linhas ferroviárias e melhorar os portos.

Era preciso ainda que o Brasil explorasse o seu petróleo, o seu carvão, o manganês, o ferro e outros produtos minerais.

O grupo liderado por Roberto Simonsen contava com o apoio de muitos industrias, militares, jornalistas, professores e outros. Pouco tempo, esse grupo se dividiu. De um lado, ficaram aqueles que pensavam que o Brasil precisava desenvolver a sua industria. De outro lado, colocaram-se os que acreditavam que só os empresários brasileiros e o governo é que deveriam explorar os nossos recursos naturais.

Mas havia ainda um grupo que não concordava nem com os desenvolvimentistas nem com os desenvolvimentistas-nacionalistas. Era o grupo liderado pelo Eugênio Gudin. Esse grupo entendia que o Brasil não deveria se preocupar com a industrialização, e sim incentivar a agricultura, melhorar e diversificar a produção agrícola.
Getúlio Vargas volta ao poder

Em 1950, os partidos políticos apresentaram os seus candidatos. A UDN lançou o mesmo candidato que havia concorrido em 1945, o brigadeiro Eduardo Gomes, o PSD lançou o mineiro Cristiano Machado, o PTB e o partido social progressista (PSP) lançaram juntos Getúlio Vargas.

Vargas garantiu ao povo que, se fosse eleito, iria continuar incentivando a industrialização, como fizera durante seu primeiro governo. Dizia que só a indústria permitiria que o Brasil atingisse a sua independência econômica e se tornasse um país desenvolvido como o Estado Unidos, a União Soviética e outros países importantes da Europa.

Vargas defendia também a maior intervenção do Estado na área econômica, o que significava que o governo deveria estabelecer as regras da produção e também produzir.

Outra promessa foi continuar sua política de defesa dos direitos dos trabalhadores. Prometia também aos trabalhadores rurais os mesmos direitos que tinham os das Zonas urbanas. O fato é que Getúlio Vargas ganhou as eleições de 3 de outubro de 1950 com 48,7% do total de votos. Mas essa eleição não foi bem recebida pelos perdedores, especialmente a UDN, que não perdoava Vargas ter governado, durante o Estado Novo, sob a um regime de ditadura. Vargas assumiu o governo enfrentando uma forte oposição.

Logo no inicio de seu governo, Vargas criou uma assessoria Econômica da Presidência da Republica. Esse tipo de órgão era uma novidade na época na época. A assessoria Econômica era coordenada  pelo economista Rômulo Almeida e dela participaram Jesus Soares Pereira, João Neiva de Figueiredo e outros. Eles ajudaram o governo a preparar muitos projetos, para resolver problemas como os do petróleo, do carvão e da eletricidade.

Um projeto muito importante elaborado pela Assessoria Econômica foi o de criação de uma empresa nacional para explorar o nosso petróleo. O congresso aprovou a criação da Petrobrás em 3 de outubro de 1953, como uma empresa que detinha o monopólio estatal do petróleo.

Além da Petrobrás, o governo Vargas propôs ao Congresso o Plano Nacional de Eletrificação e a criação da Eletrobras  Mas, encontrou muitas resistências, só seria aprovado no ano de 1961. Em 1953 foi aprovado o Plano do Carvão Nacional.

Outra preocupação do governo foi de dar soluções para aos problemas da Amazônia e do desenvolvimento do nordeste.

O governo instituiu uma comissão para estudar e planejar a fabricação de jipes, tratores e caminhões.

No ano de 1945 a Petrobrás entrava em funcionamento, era inaugurada a Companhia Siderúrgica Mannesmann, em Minas Gerais, e a usina de Paulo Afonso, no Nordeste, começava a produzir energia para a Bahia e Pernambuco.

Vargas adotou uma política em que o governo investia na industrialização, criando empresas para produzir bens e serviços.

O governo criou empresas com empréstimos, estimulou os empresários nacionais a investir na construção de novas fábricas e a ampliar as já existentes. A política de Vargas teria continuidade de Juscelino Kubistshek, quando foram feitos muitos investimentos na industrialização. Mas, apesar disso, o período terminou em meio a uma grande crise política que culminou com o suicídio de Getúlio. No dia 24 de 1954, o presidente da República, Getúlio Vargas, se suicidou com um tiro no coração. Mas porquê?

 

Vargas enfrenta a oposição

Bom, vimos que com a volta de Vargas ao poder, em 1951, provocou uma reação contraria a muitas pessoas, que tentaram impedir sua posse. Bom o que estava ligado, era o fato de ele ter governado o Estado Novo como um ditador que supria as liberdades democráticas, com censuras rigorosas e colocar os adversários na cadeia. Também pela forma de governar que a oposição não aceitava: ele se dirigia diretamente ao povo, fazia grandes comícios que prometia melhorar a situação dos trabalhadores.

Os jornais também não apoiavam o governo. A política de desenvolvimento do governo de Vargas provocava muitos conflitos dentro da própria equipe de governo. Além disso, Vargas teve de enfrentar outras dificuldade. Uma delas era o aumento da inflação. Quando ele assumiu o governo, em Janeiro de 1951, a taxa anual de inflação era de 12,34%. Mas em 1954, chegou a 25,86%, que na época era muito.

Houve também um aumento dos preços no mercado internacional, devido a guerra da Coréia. Ale de tudo isso, o Brasil se endividou internacionalmente. Mas o Banco do Brasil foi muito generoso, financiou a instalação, a expansão e a modernização de muitas industriam. O Estado aumentou muito os seus gastos, e quando o Estado gasta vem a inflação.

Com o aumento da inflação, os salários perderam o valor, e os trabalhadores e os sindicatos começaram a pedir reajustes salariais.

Em janeiro de 1953, surgiu a primeira de uma greve de trabalhadores, que pediam aumento salarial. Os empresários passaram a acusar Vargas pela serie de greves que começavam a eclodir.

Para solucionar as dificuldades econômicas, Vargas resolveu mudar seu ministério. Para ser ministro do Trabalho, convidou João Goulart, um jovem político do PTB, para o ministério da Fazenda convidou seu amigo Osvaldo Aranha.

Mas a escolha de Goulart foi a que trouxe maiores problemas, porque provocou descontentamento entre os opositores.

 

Vargas busca uma saída

Diante de uma oposição bem organizada e agressiva, Vargas achou que a saída era ter uma postura racionalista e popular. No dia 1 de maio de 1954, assinou um decreto aumentando o salário mínimo de 100%. Mas esse aumento desencadeou ódio.

Os empresários, militares e políticos passaram a se organizar para tirar Vargas do governo.

Por outro lado, Vargas não conseguia convencer os nacionalistas das suas intenções. Vargas procurou solucionar essa dificuldade de varias formas, mas não conseguiu.

Vargas sofria cada vez de mais acusações de estar favorecendo os amigos, de que seu governo cometia muitos erros, de que havia muita corrupção. Carlos Lacerda fazia grandes acusações nos seus discursos, que atacavam a figura de Vargas.

Em 5 de agosto de 1954, ocorreu o chamado atentado de Toneleros.

Foi sobre Vargas que caíram todas as responsabilidades pelos males que afligiam o país. Foi na sua pessoa que se concentraram todas as criticas e todos os ódios, tanto de políticos, como de militares.

As pressões de deixar o Palácio do Catete Levaram Vargas ao suicídio, no dia 24 de agosto de 1954. A carta de testamento, encontrada foi lida e divulgada pela Radio Nacional.

Na carta Vargas se apresentava como o grande defensor da classe trabalhadora e como o político que tudo fizera para tornar o Brasil um país desenvolvido. Apresentava como vítima de grupos nacionais e estrangeiros que não aceitavam que os trabalhadores tivessem garantido os seus direitos sociais.

Vargas explorava a figura do “pai dos pobres”, daqueles que concedera aos trabalhadores os seus direitos. Deixou uma imagem de herói, daquele que lutou pelo bem do país mas que teve de se sacrificar, porque perdeu a batalha.

Essa carta despertou um sentimento nas pessoas. Ao tomarem conhecimento do suicídio e dessa mensagem, o povo foi pra as ruas chorar a morte de seu líder e se vingar dos seus opositores.

Em São Paulo, milhares de operários entraram em greve de protesto e se manifestarem contra os opositores de Vargas. Em Porto Alegre, foram queimados os jornais anti-Vargas e foram atacadas as sedes da UDN e do partido libertador. E em Belo Horizonte, a população foi para as ruas se manifestar contra os opositores do presidente morto.

A emoção, a tristeza popular foi tão fortes que atemorizaram e desconcertaram os anti-varguistas, que esperavam, com o afastamento de Vargas, liquidar o getulismo.

A era Vargas não terminou em 1954, sobrevive até hoje. A forma como Getúlio decidiu sair da vida para entrar na historia permitiu a sobrevivência da democracia até 1964.

A carta testamento transformou-se em bandeira de luta para o PTB e para todos os getulistas.

Nessa época, ainda era difícil, para as elites brasileiras, a aceitação dos direitos sociais como algo fundamental na sociedade.

O suicídio foi outro elemento que contribuiu para a permanência tão forte da imagem de Vargas no seio da população.

Esse gesto, com a carta de testamento, transmitiu a imagem do sacrifício, do homem que deu ávida pelo Brasil e pelo povo brasileiro.

Fonte: http://www.juliobattisti.com.br/tutoriais/adrienearaujo/historiadobrasil006.asp

   

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